Administra o teu Blog

Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis

Make yourself
Escreve....desfruta.

28/03/2008 GMT 1

Pessoa, Fernando António Nogueira (1888-1935)

incubus @ 14:00

Escritor português, natural de Lisboa. Devido ao casamento da mãe, em segundas núpcias, com o cônsul português em Durban (África do Sul), viveu nesse país entre 1895 e 1905, aí seguindo os estudos secundários.

Frequentou ainda, durante um ano, a escola comercial e a Universidade do Cabo. De regresso a Lisboa, frequentou, também por um período breve, o Curso Superior de Letras. Após uma tentativa falhada de montar uma tipografia e editora, dedicou–se, a partir de 1908, a tempo parcial, à tradução de correspondência estrangeira de várias casas comerciais, dedicando o restante tempo à escrita e ao estudo da Filosofia (grega e alemã, nomeadamente), das Ciências Humanas e Políticas, da Teosofia e da moderna Literatura, que assim acrescentava à sua formação cultural anglo–saxónica, determinante na sua personalidade.

Levando uma vida relativamente apagada, movimentando–se no círculo restrito de amigos que frequentavam as tertúlias intelectuais dos cafés da capital, envolveu–se nas discussões literárias e até políticas da época. Colaborou na revista A Águia, da Renascença Portuguesa, com artigos sobre a nova poesia portuguesa, imbuídos de um sebastianismo animado pela crença no surgimento de um grande poeta nacional. Data de 1913 a publicação de «Paúis» (poema que tentou criar uma corrente — o paúlismo) e de 1914 o aparecimento dos seus três principais heterónimos, segundo indicação do próprio Fernando Pessoa. Em 1915, com Mário de Sá–Carneiro e Luís de Montalvor, lançou a revista Orpheu, marco do Modernismo português. Publicou, ainda em vida, Antinous (1918), 35 Sonnets (1918), e três séries de English Poems (1921). Em 1934, concorreu com Mensagem a um prémio oficial, que conquistou na categoria B devido à reduzida extensão do livro. Colaborou ainda nas revistas Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922–1926, de que foi co–director), Athena (1924–1925, igualmente co–director) e Presença.

A sua obra, que permaneceu maioritariamente inédita, foi difundida e valorizada pelo grupo da Presença; a partir de 1943, Luís de Montalvor deu início à edição das obras completas de Fernando Pessoa, abrangendo os textos em poesia dos heterónimos e de Pessoa ortónimo. Foram ainda sucessivamente editados escritos seus sobre temas de doutrina e crítica literárias, filosofia, política e páginas íntimas. Do seu vasto espólio foram também retirados o Livro do Desassossego por Bernardo Soares e uma série de outros textos.

A questão humana dos heterónimos, tanto ou mais que a questão puramente literária, tem atraído as atenções gerais: concebidos como individualidades distintas da do autor, este criou–lhes uma biografia e até um horóscopo próprios. Encontram–se ligados a alguns dos problemas centrais da sua obra: a unidade ou a pluralidade do eu, a sinceridade, a noção de realidade e a estranheza da existência. Traduzem, por assim dizer, a consciência da fragmentação do eu, reduzindo o eu «real» de Pessoa a um papel que não é maior que o de qualquer dos seus heterónimos na existência literária do poeta. Assim questiona Pessoa o conceito metafísico de tradição romântica da unidade do sujeito e da sinceridade da expressão da sua emotividade através da linguagem. Enveredando por vários fingimentos, que aprofundam uma teia de polémicas entre si, opondo–se e completando–se, os heterónimos são a mentalização de certas emoções e perspectivas, a sua representação irónica pela inteligência. Deles se destacam três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

Trackback URI

Comentários

Não há Comentários »

Deixar um Comentário


<a href> <em> <blockquote> <strong> <cite> <code> <ul> <li> <dl> <dt> <dd>

Contactar o autor | Arquivo | Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis