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28/03/2008 GMT 1

Andresen, Sophia de Mello Breyner (1919-)

incubus @ 13:55

Poetisa e contista portuguesa, natural do Porto. Frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, não tendo chegado a concluí-lo, talvez por a sua força poética não caber nos cânones universitários.

Teve uma intervenção política empenhada (ao lado do seu marido, o advogado Francisco Sousa Tavares), opondo-se ao regime Salazarista (foi co-fundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos) e também, após o 25 de Abril, como deputada. Presidiu ao Centro Nacional de Cultura e à Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores.

O ambiente da sua infância reflecte-se em imagens e ambientes presentes na sua obra, sobretudo nos livros para crianças: os Verões passados na praia da Granja e os jardins da casa de sua família ressurgem em evocações do mar ou de espaços de paz e amplitude.

A sua actividade literária (e política) pautou-se sempre pelas ideias de justiça, liberdade e integridade moral. A depuração, o equilíbrio e a limpidez da linguagem poética, a presença constante da Natureza, a atenção permanente aos problemas e à tragicidade da vida humana são reflexo de uma formação clássica, com leituras, por exemplo, de Homero, durante a juventude. Colaborou na revista Távora Redonda e conviveu com nomes da literatura e cultura portuguesas, como Miguel Torga, Rui Cinatti, Jorge de Sena e Vieira da Silva.

Na lírica, estreou-se com Poesia (1944), a que se seguiram Dia do Mar (1947), Coral (1950), No Tempo Dividido (1954), Mar Novo (1958), O Cristo Cigano (1961), Livro Sexto (1962, Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores), Geografia (1967), Grades (1970), Dual (1972), O Nome das Coisas (1977, Prémio Teixeira de Pascoares), Navegações (1978) e Ilhas (1989); este último voltou a ser publicado em 1996, numa edição de poemas escolhidos acompanhada de fotografias de Daniel Blaufuks. Em 1968 foi publicada uma Antologia e, entre 1990 e 1992, surgiram três volumes da sua Obra Poética. Colaborou ainda com Júlio Resende na organização de um livro para a infância e juventude, intitulado Primeiro Livro de Poesia (1993).

Em prosa, escreveu os Contos Exemplares (1962), as Histórias da Terra e do Mar (1984) e os contos infantis A Fada Oriana (1958), A Menina do Mar (1958), Noite de Natal (1959), O Cavaleiro da Dinamarca (1964), O Rapaz de Bronze (1956) e A Floresta (1968). É ainda autora dos ensaios Cecília Meireles (1958), Poesia e Realidade (1960) e O Nu na Antiguidade Clássica (1975), para além de trabalhos de tradução de Dante, Shakespeare e Eurípides. A sua obra literária encontra-se parcialmente traduzida em França e Itália. Recebeu, em 1994, o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores e, em 1995, o Prémio Petrarca, da Associação de Editores Italianos.

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